12 fevereiro 2019

A bolha


A bolha
Uma vez me disseram que era perigoso se prender em apenas uma ideia, minha perspectiva sobre o mundo e minha vida seria limitada, meus sonhos desapareciam e a minha vontade de crescer simplesmente viraria pó. Acho que eles estavam certo.

Vivo aqui há muito tempo e pelo o que vejo não vou sair tão cedo, à noite fica bem escuro e não há luz, em nenhum lugar. Quando o sol bate em cima da minha casa as luzes cintilam e forma pequenos arco-íris, que controvérsia!

Vivo em uma bolha e aqui é tudo muito pequeno, evito pensar demais não há espaço para isso aqui dentro. Alguns já tentaram furar o meu lar mas nada aconteceu.
Descobri que apenas eu posso fazer tal ato, apenas eu tenho esse poder, mas será se quero isso? Aqui é tão quentinho mesmo sendo um espaço triste, vazio e sem graça.

- Querida, você ainda está aí?
- Sim – respondo.

A voz do lado de fora responde.

- Há quanto tempo vai ficar aí, vai mesmo esperar que tudo isso acabe sem um mínimo de esforço? – Vai mesmo querer que sua vida acabe desta maneira? Sozinha, triste e cansada?

- Não estou sozinha, eles também estão aqui, infelizmente.

- Quem, minha querida? -a voz graciosa pergunta novamente.

- Os demônios! - Respondo em meio as lágrimas. -Eles estão aqui e sempre estiveram, eu quero que eles saiam agora, mas tenho medo.

- Não temas querida, eu posso ouvi-los daqui de fora. – Tente isso, pense e tente idealizar um outro eu seu, uma nova pessoa, sem medos, sem tristezas... uma pessoa feliz! Diga bem alto para eles o que você sente.

Choro mais uma vez e começo a pensar em todos os momentos da minha vida em que “eles” me fizeram recuar, me fizeram sentir medo e me humilharam, em todas as lutas que travei mentalmente com eles e no quanto já me fizeram mal. Sinto eles se afastarem ao saber que sim, tenho consciência de que eles existem e que agora tenho que eliminá-los um a um.

Fecho os olhos tentando fazer eles se calarem e na pequena oportunidade que tenho começo a idealizar um eu diferente, um eu que nunca pensei que pudesse ser.
Sinto a bolha tremer e logo em seguida o calor dos raios solares enfim chegar a meu corpo. Ela explodiu!
E de repente ela me abraça, um abraço caloroso, aconchegante e seguro.

- Eu sou a vida querida, veja como sou linda, veja como te dou oportunidades para seguir em frente e eu vejo como você sempre me admirou. – Eu sou tudo nesse universo, a esperança e a paz, o sol e a chuva, sou bela e você também é e faz parte de mim assim como faço parte de você, aproveite a minha companhia.

Segurando suas mãos caminhamos na rua das incertezas, consegui sair da bolha na qual chamava de lar mas a verdade é que eu sou a minha própria casa e mereço todo cuidado e amor possível.

17 Anos. Eu encontrei um refúgio, um lugar para fugir quando eu estiver vontade, um espaço só meu. Sabe o que é mais incrível? deixarei você entrar quando quiser.

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